Hoje, na Zero Hora. Tirando que eu trabalho na Época São Paulo, e não na Época, e estudei Jornalismo, não Comunicação (acreditem, tem diferença), ficou muito legal.
A vez de Caio F. feito personagem
Jovem jornalista mineira lança na próxima sexta a primeira biografia do escritor gaúcho
Caio Fernando Abreu é autor de pelo menos um título referencial da literatura brasileira contemporânea, o volume de contos Morangos Mofados, de 1982. Foi também personalidade de vida intensa, desabusada e interessante – uma vida que daria um romance, vida que serviu de emblema para a geração que se firmou no momento da redemocratização do país. Vem daí o mote para Inventário de um Escritor Irremediável, livro que a jornalista Jeanne Callegari, mineira de Uberaba radicada em São Paulo, repórter da revista Época, lança na Capital depois de amanhã, no foyer do Theatro São Pedro.
É a primeira biografia do escritor gaúcho, falecido em 1996, aos 48 anos. O lançamento coincide com o aniversário de 60 anos de nascimento do autor. Será precedido por um debate, às 15h de sexta, também no São Pedro, em uma promoção do 15º Porto Alegre Em Cena, com depoimentos da própria Jeanne, do ator Marcos Breda e da professora Marcia Ivana de Lima e Silva (UFRGS), entre outros amigos e estudiosos de sua obra. Amanhã, dentro do Em Cena, será exibida a peça teatral Margaridas Enlatadas, reunião de três monólogos baseados em contos de Caio F.
Jeanne, que ainda não tinha completado um ano quando ele publicou Morangos Mofados, trabalhou quatro anos na apuração do material que resultaria no livro. Ela começou quando ainda era estudante de Comunicação na Universidade Federal de Santa Catarina, leu toda a obra dele e toda a correspondência pessoal a que teve acesso, entrevistou mais de 60 pessoas (entre familiares e pessoas que conviveram com o autor, dos obrigatórios aos menos óbvios, como a cantora Adriana Calcanhotto, a pintora Maria Lídia Magliani ou o escritor Mário Prata). Tomou como modelo as biografias já clássicas do jornalismo literário norte-americano e brasileiro. Jeanne cita Gay Talese, Truman Capote, Ruy Castro e Fernando Morais, mas admite com humildade:
– O que eu fiz é mais um perfil do que uma biografia. É uma obra inicial. Ainda há muito coisa para contar.
O livro começa pelo encontro dos pais de Caio, ainda jovens, em Itaqui, na década de 1940, reconstitui o namoro, o casamento, o nascimento do menino, a primeira infância dele, em Santiago do Boqueirão, as estripulias da juventude, o mergulho na contracultura na sweet London dos anos 70, o encontro com a escritora Hilda Hilst, a experiência como contista e jornalista, o estupor ao se saber portador do HIV. O texto de Jeanne não se faz condescendente e relata até mesmo as explosões de humor e tormentos do escritor na fase final da vida, como se lê no trecho a seguir: “A mãe doente, e Caio implicava com ela. Dizia que ela o atordoava, não o deixava em paz, estava sempre atrás dele contando histórias intermináveis. Ela o desgastava, lhe dava nos nervos. Ele explodia, brigava com ela. Depois se arrependia, céus, ela tão velhinha e ele fazendo malcriação. Mas no dia seguinte brigava de novo. Parecia mais o Hospital Abreu do que a casa da família”.
Inventário de um Escritor Irremediável (Seoman, 200 páginas, R$ 28) inclui fotos inéditas do escritor.


3 respostas Até agora ↓
Malu // Setembro 12, 2008 às 10:08 am |
Adorei o novo visual do blog! Fico contente que o seu trabalho esteja sendo reconhecido. Ainda não comprei meu exemplar. Deixei para o fim do mês, quando voltar para São Paulo. Mas o meu autógrafo está garantido, né?
Beijos.
Aleph Ozuas // Setembro 12, 2008 às 12:43 pm |
Jeanne, parabéns pelo livro. Tá lindo! Legal que você fez o lançamento aqui em Floripa também. A Regina já me passou um e-mail falando que tá de ressaca, haha. A Regininha é maravilhosa!
Oi, Malu, você por aqui. Beijo pra vocês!
Jeanne Callegari // Setembro 17, 2008 às 12:19 pm |
Garantidíssimo, Malu!
E obrigada, Aleph. A Regininha é mesmo incrível!