De início, pensei: Hora do Planeta, que legal, claro, vou participar.
Tenho a teoria de que, antes de mais nada, é necessário chamar a atenção das pessoas para os problemas ambientais. Em minhas entrevistas com Hélio Mattar, do Akatu (um dos mais sensatos e sábios ativistas com quem já conversei), aprendi: primeiro é preciso sensibilizar, mostrar por que é importante cuidar do ambiente; as ações em si virão depois, como conseqüência do sentido de urgência de cuidar do que temos.
Então sempre apoiei qualquer idéia que, mesmo que marqueteira, mesmo que associada a causas menos nobres, colocasse coisas na pauta, ajudasse a implementá-las no inconsciente coletivo. Deixa a ecobag virar moda; deixa as concessionárias patrocinarem eventos de bicicleta. Ser verde tem mais é que virar símbolo de status mesmo, e desde que não fosse muito sem-vergonha, nem o greenwashing me deprimia.
Mas aí sábado, antes da Hora do Planeta, conversando com Edu, pensei naquelas pessoas que ficarão bem felizes e satisfeitas de terem apagado as luzes por uma hora. Pensei em como as consciências delas estarão tranqüilas, e em como não sentirão necessidade de mudar efetivamente coisa alguma, de diminuir o consumo, o desperdício, de diminuir o uso de seus carros. Quantas não fazem o apagar das luzes com o mesmo distanciamento emocional de ligar para o Criança Esperança e doar R$30, sem de fato se envolver? Eu sei, é simbólico; mas quantos irão além do símbolo?
Então nós apagamos as luzes, porque é melhor enxergar o copo meio-cheio.
Mas é claro que não é suficiente.


1 resposta Até agora ↓
isabella // Junho 25, 2009 às 9:31 pm |
ei, te entendo.
esses dias li uma mulher revoltada num blog sobre aquele movimento de fazer xixi no banho, sabe?eu adorei! eu ainda acredito nos pequenos gestos… mudando alguns hábitos pequenos, falando sobre… acho que assim a gente pode começar a fazer alguma coisa mesmo…
gostei do blog!
até…