Jeanne C.

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Na Zero Hora (2)

Setembro 10, 2008 · 3 Comentários

Hoje, na Zero Hora. Tirando que eu trabalho na Época São Paulo, e não na Época, e estudei Jornalismo, não Comunicação (acreditem, tem diferença), ficou muito legal.

A vez de Caio F. feito personagem

Jovem jornalista mineira lança na próxima sexta a primeira biografia do escritor gaúcho

Caio Fernando Abreu é autor de pelo menos um título referencial da literatura brasileira contemporânea, o volume de contos Morangos Mofados, de 1982. Foi também personalidade de vida intensa, desabusada e interessante – uma vida que daria um romance, vida que serviu de emblema para a geração que se firmou no momento da redemocratização do país. Vem daí o mote para Inventário de um Escritor Irremediável, livro que a jornalista Jeanne Callegari, mineira de Uberaba radicada em São Paulo, repórter da revista Época, lança na Capital depois de amanhã, no foyer do Theatro São Pedro.

É a primeira biografia do escritor gaúcho, falecido em 1996, aos 48 anos. O lançamento coincide com o aniversário de 60 anos de nascimento do autor. Será precedido por um debate, às 15h de sexta, também no São Pedro, em uma promoção do 15º Porto Alegre Em Cena, com depoimentos da própria Jeanne, do ator Marcos Breda e da professora Marcia Ivana de Lima e Silva (UFRGS), entre outros amigos e estudiosos de sua obra. Amanhã, dentro do Em Cena, será exibida a peça teatral Margaridas Enlatadas, reunião de três monólogos baseados em contos de Caio F.

Jeanne, que ainda não tinha completado um ano quando ele publicou Morangos Mofados, trabalhou quatro anos na apuração do material que resultaria no livro. Ela começou quando ainda era estudante de Comunicação na Universidade Federal de Santa Catarina, leu toda a obra dele e toda a correspondência pessoal a que teve acesso, entrevistou mais de 60 pessoas (entre familiares e pessoas que conviveram com o autor, dos obrigatórios aos menos óbvios, como a cantora Adriana Calcanhotto, a pintora Maria Lídia Magliani ou o escritor Mário Prata). Tomou como modelo as biografias já clássicas do jornalismo literário norte-americano e brasileiro. Jeanne cita Gay Talese, Truman Capote, Ruy Castro e Fernando Morais, mas admite com humildade:

– O que eu fiz é mais um perfil do que uma biografia. É uma obra inicial. Ainda há muito coisa para contar.

O livro começa pelo encontro dos pais de Caio, ainda jovens, em Itaqui, na década de 1940, reconstitui o namoro, o casamento, o nascimento do menino, a primeira infância dele, em Santiago do Boqueirão, as estripulias da juventude, o mergulho na contracultura na sweet London dos anos 70, o encontro com a escritora Hilda Hilst, a experiência como contista e jornalista, o estupor ao se saber portador do HIV. O texto de Jeanne não se faz condescendente e relata até mesmo as explosões de humor e tormentos do escritor na fase final da vida, como se lê no trecho a seguir: “A mãe doente, e Caio implicava com ela. Dizia que ela o atordoava, não o deixava em paz, estava sempre atrás dele contando histórias intermináveis. Ela o desgastava, lhe dava nos nervos. Ele explodia, brigava com ela. Depois se arrependia, céus, ela tão velhinha e ele fazendo malcriação. Mas no dia seguinte brigava de novo. Parecia mais o Hospital Abreu do que a casa da família”.

Inventário de um Escritor Irremediável (Seoman, 200 páginas, R$ 28) inclui fotos inéditas do escritor.

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Eu, por Regininha

Setembro 8, 2008 · 3 Comentários

Texto retirado do blog da Regininha. Ela foi minha orientadora na universidade, no trabalho de conclusão que iria desencadear no livro do Caio. Fofo!

Promovendo a Jeanne

Além das obrigatórias Redação VI e VII, Jeanne fez todas minhas optativas, inclusive aquela deliciosa Leitura de Poesia. Nesta – em que trabalhamos letra de música, também (letras em inglês e  espanhol, inclusive) – ela queria porque queria Cole Porter. Fiz, né? E foi uma função escolher, porque Cole Porter teve produção imensa, com canções lindíssimas… E claro que foi uma delícia, e ela ajudou na seleção.

Aluna meio relapsa, mas dona de texto invejável, ótima contista, seu projeto de TCC era a biografia do Caio Fernando Abreu, jornalista e escritor, e teria que ser eu mesma a orientar, orientei várias delas, acabou virando especialidade.  Fiquei meio temerosa: fazer uma biografia, mesmo que apenas um esboço dela – muito pouco tempo pra isso, um semestre letivo – exige muito texto, muita pesquisa, muita entrevista. Jeanne era uma das mais indisciplinadas criaturas que conheço. E tímida, tinha pavor de fazer entrevistas…

Pra minha agradável surpresa, prometeu escrever duas laudas ao dia, ao menos: cumpriu religiosamente. Eu abria a e-box pela manhã, e lá estava, quase diariamente – até quando viajava pra pesquisa e/ou entrevista -  o que tinha feito na véspera, para eu ler, revisar, dar palpite. E fez as entrevistas todas,foi atrás, fuçou, descobriu, teve surpresas. Ela é dona de grande sensibilidade, e me preocupava o momento em que fosse tratar da morte de Caio, um dos primeiros gays a morrer de AIDs, no Brasil. E SABER como a doença se desenvolvia, e descrever isso seria pesado, e foi. Mas ela segurou bonito.

Montei banca no capricho: Tânia Ramos, de Letras, cuja especialidade é justamente memórias e biografias. E o Scotto, especialista-mor em reportagem e texto jornalístico. Falei com eles antes:como TCC, o trabalho está ótimo, mas ela quer publicar, vai ter que aperfeiçoar e deseja que a banca a auxilie nisso. Podem bater pesado.  Tânia deu várias sugestões de leitura, especialmente teórica. Scotto foi fundo no texto, daquele jeito dele: “Baixinha, quando peguei essa porra, pensei: ih, ela não vai dar conta! Mas deu, a Baixinha deu conta…” E foi criticando trecho por trecho, naquilo  que achava que podia ser melhorado ou deveria ser mexido. Gozando de algumas coisas, também, que nisso  ele é imbatível! A mãe da Jeanne estava na platéia e ficou em pânico , achando que a filha iria reprovar, hehehe. Jeanne tranqüila, anotando tudo, discutindo algumas coisas, e eu também. E Scotto lhe passou sua cópia, anotadíssima, para lhe facilitar a vida. Tânia, suas anotações.

Nem houve discussão sobre a nota, entre os membros da banca. Quando o pessoal voltou para saber como tinha sido, a mãe da Jeanne super-nervosa, e li as notas: dez, dez, dez, média DEZ, foi aquele AAAAHHHH! de espanto, foi muito engraçado.  Eu ri: pois eu não disse que o trabalho estava muito bom? (E tanto estava, que até hoje é recomendada sua leitura para os que estejam fazendo o projeto final.) Mas se estava ótimo como trabalho final, ainda não estava pronto para virar livro, precisava de aperfeiçoamento.

Jeanne foi morar e trabalhar em Sampa, e continuou lidando com a biografia de Caio. Aperfeiçou o texto, fez novas entrevistas, aumentou, burilou… O livro saiu este ano, e ela já o lançou em São Paulo. Está indo lançá-lo na Feira do Livro de Porto Alegre, onde também participa de uma mesa. No caminho, passa aqui, e faz seu lançamento, que estou tendo o prazer de organizar: quinta-feira, dia 11/9, às 19 horas, na Livros & Livros da Jerônimo Coelho. Considerem-se todos convidados!

A Tânia Ramos prometeu ir, e se Scotto, o recluso da Trindade, não aparecer, fico de mal pra sempre! O Filipe Speck vai tocar e cantar, é meu músico cativo. Vai ser muito bom!

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convite

Julho 11, 2008 · 4 Comentários

a maior motivação de eu me mexer e criar outro blog é o livro. caio fernando abreu: inventário de um escritor irremediável, um perfil do caio f. vocês vão ler muito sobre ele por aqui (ele, caio, ou ele, livro, tanto faz). o lançamento será dia 29, e eu queria convidar a todos para beber um vinho comigo na livraria da vila da al. lorena. foram quatro anos de trabalho, sofri, suei, chorei, me desesperei, me animei, mas no final deu certo. nasceu o filhote. ‘bora comemorar!

Lançamento do livro
Caio Fernando Abreu – inventário de um escritor irremediável, de Jeanne Callegari
Local: Livraria da Vila (tel. 3062 1063)
Al. Lorena, 1731, Jardins, São Paulo
Data: 29/07/2008
Horário: das 19h às 22h

vem tomar um vinho comigo?

vem tomar um vinho comigo?

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